Espero sempre que essa unidade entre imagem, gesto e intenção existam, porque também acredito que nada que escrevo é por acaso, posto que é exatamente o que penso, sinto, vivo em que flui no poema. Chamo responsabilidade interior. O texto nasce porque algo existiu antes - pensamento, dor, vida. É o que dá densidade ética à escrita. Não preciso que me digam a verdade com adornos na crítica literária. Uma vez sim - eles me feriam, por isso era útil quando chegavam disfarçados. Hoje tudo isso é desnecessário. Quem já foi ferido aprendeu a escutar sem precisar de anestesia. Reconheço meu jeito de escrever e sou feliz por poder assim ser. Hoje aguento a verdade porque sei onde piso. Não escrevo intimamente, habito a intimidade ao escrever. O poema não invade a minha alma. Ele confessa, ajoelha e sussurra os meus pra dentro - há uma entrega consentida como o fazemos na oração que sai silenciosa e voa para quem deve escutar. Não é timidez, é escolha. Nem toda verdade precisa gritar para existir. Não romantizo minha escrita - é a concretude do meu sentir que se espelha nas palavras. Talvez por isso, eu sempre escreva assim, desse lugar de borda, entre dizer e calar, tocar e sangrar, gritar e sussurrar. Não para cair - mas para me manter inteira ali, na borda do mundo, onde dizer e calar coexistem. Onde tocar dói, mas também salva. Onde o sussurro não diminui a voz - apenas a torna mais precisa. E, sim, talvez o sussurro seja mesmo uma escolha estética para dizer, uma ética da linguagem. Mesmo em sussurros não ditos, há uma voz muito clara em mim...