Maria
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Digressões II - sobre o amor
O amor não é um sonho perfeito. Para mim o amor não é um sonho. Sonho é vive-lo em plenitude. Para mim o amor é intrínseco à alma, intrínseco ao coração. Só pode sonhar com ele, quem o conhece profundamente, quem o tem dentro de si, quem o possui intrínseco. Penso que isso que diferencia seres humanos dos animais e também entre si - há aqueles que odeiam o outro, o mundo, a vida. Como poderiam amar se não conhecem o amor verdadeiro? Se o receberam deformado, dilacerado, rasgado, de costas para si mesmo e o outro? Se não o possuem - ao amor verdadeiro - intrínseco à alma, ao espírito, à mente? Sonhar com o amor não é sonhar com o amor. Sonhar com o amor é sonhar vivê-lo de forma plena, de modo que a alma encontre paz. Não a paz das bandeiras ou das fraldas ao vento. A paz das profundezas - essa que nos dá a certeza de que finalmente nos encontramos conosco mesmo e com o outro. Por isso, é possível ser feliz amando - mesmo não sendo amado. Por isso, podemos encontrar paz ao amar platonicamente, mesmo a dor da não correspondência presente. Por isso, há que se ter plenitude no amor mesmo na distância, mas o viver essa plenitude só se tornará completo quando do encontro pleno, quando das almas se entrelaçando para além do entrelaçamento espiritual, para dentro do espaço físico do viver, no cotidiano vida, no cotidiano tempo, no cotidiano vivenciar. 
Maria
Enviado por Maria em 01/01/2026
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