Despede-se com classe.
Com asas de andorinha, anunciando um novo tempo.
Com um bailado de palavras que calam fundo na alma que a cruza.
Sim, houve dias feridos, maculados por dores tão sentidas,
rasgados por tempestades que ainda não se calaram.
Continuam a doer as picadas ardidas dos sorrisos -
falsos sorrisos - que se apregoam em avalanches
pelos corredores do cotidiano.
Também chorei com mágoas tatuadas na pele do coração -
mas, em última análise a gratidão:
foram elas que me levantaram das cinzas para um novo e outro voo.
Sim, quantas vezes chorei imaginando essa rosa perfeita
sendo abraçada pelos raios do Sol, amada, adorada -
e chorei como uma criança perdida de si e do mundo.
Quantas cachoeiras derramadas que, talvez, talvez,
ainda despencam rio abaixo em busca do Mar.
São as chagas que a vida outorga no plissado do tempo.
São feridas que não saram, posto mãos de piano
cravarem continuamente os dedos sobre as teclas de chagas abertas.
Também levo no peito esses ventos que cantam desnudos -
peço uma sonata de acalanto, um oboé de ternura,
um chocalho de esperança,
para que minha alma e meu coração
se percam do mundo e se achem na poesia do Poeta,
na vida do Sol, nos braços do Mar...
Uma última prece, mesmo findo o tempo delas na areia da ampulheta.
Silencio...
Silêncio! Silêncio...
A poesia é para ser sentida...
Como as notas que voam das cordas do meu velho bandolim...
Intertexto com
da Poetamiga Lúcia Constantino