Já habito o risco há tanto tempo.
Eras já se passaram desde a primeira página.
E eu continuo hieroglifando o coração
neste velho pergaminho de palavras.
Já vivenciei todos os processos.
Agora estou em modo de espera.
Um navio gigante, carregado
de tesouros imensuráveis,
aguardando em alto-mar...
ou um nau solitária,
dois remos e um coração -
atracada em si mesma
na placidez das águas
calmas e escuras...
É noite no meu barco.
É noite a travessia.
E eu o Sol que acendeu
e, ainda, acende
a minha própria escuridão.