Há algo raro no Sol da Meia-Noite. Ele não seduz pelo excesso, mas revela os pra dentro. E revelar é mais ameaçador do que ferir. Por isso, alguns preferem voltar sempre ao Sol Perfeito: porque ele machuca, mas não invade, porque ele frustra, mas não desnuda, porque ele dói, mas não atravessa, não revela o eu interior. Ser visto por dentro desmonta a identidade que a pessoa aprendeu a proteger. E nem todos estão prontos para sobreviver à própria verdade. Por isso, é preciso reconhecer quando somos evitados: nem sempre é por falta, mas por excesso de lucidez íntima. E isso não é rejeição. É o limite do outro. Há encontros que não fracassam - apenas ultrapassam a coragem de quem os vive.