Rascunho um poema
como quem caminha
por ruas desertas
em busca de uma luz
para matar a sede de céu.
Sou nau perdida
nas vagas silenciosas
da noite.
Dobro esquinas
pelos corredores sem janelas -
minhas ruas de dentro...
Espio o mundo, espio...
olho o horizonte
enquanto as mãos
plantam flores
e os pés desenham
letras de um poema
num rascunho
de ruas desertas
e olhos sedentos de céu.