Maria
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Verdade Habitável

Nem sempre há lucidez no afeto. Às vezes, vive-se (in)lucidezes para poder seguir em frente em meio à dor e aos cacos espalhados pelo chão. Encara-se a fratura de dentro: o que machuca, o que fere, o que dói sem discursos. Abraça-se (solitariamente) o corpo... para proteger-se do medo. Habita-se ou deixa-se habitar (sem romantizar, sem negar o risco) pela verdade (verdade habitável). Não sei... não sei... Não sei mais como corrigir rotas, como apagar a dor, como transfigurar abismos em ninhos para acolher, se já não há mais forças nos braços e as mãos já se emudecem... Como o vento do deserto que sobe e desaparece quando encontra em sua migração uma montanha intransponível... Como hoje o são à travessia, os abismos de meus pra dentro... Nasce uma dor indescritível...

Maria
Enviado por Maria em 15/01/2026
Alterado em 15/01/2026
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