Nem sempre temos companhia na travessia. Sonhamos com quatro pés e quatro mãos, mas na tarde mormacenta uma voz deseja ter podido ter a chance de não nos ter conhecido. É assim que vamos virando passado na vida de outrem. Como o vento que passa sem ruído, sem deixar marcas ou registros nos territórios onde pisou. Que valia temos se já passamos na vida de alguém? Quem somos? Penso que quando a porta do coração almejado se fecha, abre-se a entrada do esquecimento. E nos tornamos um Nada - Porto dos Solitários, Barco da Indiferença, Cais da Desesperança... Território do Passado. Sou mais: passei! continuo passando... Tornei-me passado. Já sou passado, aguardando o meu tempo, triste e sozinha, na escada da porta dos fundos do coração ao qual entrego, diariamente, amor...