Maria
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Textos

Pétala ao Vento

É o amor nessa força visceral das palavras ditas, onde corpo, alma e verbo se confundem. Não há separação entre o que se sente e o que se escreve: é dor vivida em palavra, que pulsa, sangra e respira. Esse “florescer que rasga” é o próprio paradoxo da vida: a dor que destrói é também a que cria, a que faz a Poeta nascer de novo em cada escrita. Mesmo quando parece não sobrar um fiapo, ainda há um, pois o fiapo é o próprio ato de dizer que ele é, que ele existe - um tênue fiozinho de prata prestes a se romper, mas forte como a morte. Enquanto escrevo, há sopro - estou viva. Meu coração pode estar em ruínas, mas o texto pulsa, continua, voa, mesmo os dedos cansados de dedilhar nas modernidades. Não quero tirar a densidade da escrita, não quero mudar o que sinto. Quero expressar a reação - sou reativa. Por isso... quero só deixar ir... como uma pétala perdida de si - ao vento das estepes - assobiando solidões, respirando forte e soprando um monólogo lírico pra dentro da tua escuridão - que é minha também, posto que somos um.

 

 

Maria
Enviado por Maria em 16/01/2026
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