Maria
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Textos

Autorretrato

Penso que todo poema que escrevo é um autorretrato abissal, denso e profundo. E se me sustento nessa tradição antiga - da descida a mim mesma como único caminho possível para a criação é porque conheço profundamente meus abismos interiores. Pluralizo-os e os torno íntimos nessa profundidade temporal e espacial da dentridade - espaço onde o interior não é fixo, mas é atravessado pelo tempo. É ali que vive a fera enjaulada em busca de se encontrar. Por isso, não romantizo a dor - minha lucidez não permite. Enquanto me busco, palmilhando a alma de meus canyons profundos, sei que estou sempre em movimento - nada é contemplativo. Sou um corpo em ação onde céu e abismo se tocam e se misturam em meus pra dentro. Não os descrevo - habito-os com consciência.

Maria
Enviado por Maria em 19/01/2026
Alterado em 20/01/2026
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