Maria
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Textos

Território de Digressões

Não escrevo do chão, escrevo do 'entre' - entre o céu e o abismo interiores. Território para viajar entre as estrelas e devorar luzes. É assim que nos alimentamos de conhecimento. O saber do outro em nós pela leitura de absorção. Em minhas digressões também carrego essa ternura quase infantil da esperança que resiste - apesar de tudo. É onde brotam duendes mágicos por entre os cometas do universo - como símbolos de cura. Não como salvadores grandiosos, mas como pequenos seres, improváveis, escondidos dentro das palavras. Ao mesmo tempo o mergulho profundo nas metáforas desajeitadas, fora do imaginário idealizado - para falar o que se quer daquele jeito que diz tudo falando nada. Como numa aposta arriscada (de alto risco), mas assumida - coisa de quem gosta de escrever com verdade. Por isso, gosto dessa ideia de caleidoscópios de luzes dançando dentro do poema. Traz essa ideia da multiplicidade, da recomposição constante. Nada fixo, nada eterno - apenas o movimento das cores trazendo a (in)lucidez para dentro de um poema vestido de sobriedade. Ao mesmo tempo que dançam, elas se encontram dentro de um mesmo território. O poema sabe que é e o que é. É um poema de espera, sim - mas não passiva. É a espera de quem continua criando por um único motivo: para não desaparecer* dentro de si mesma.

 

* desaparecer - deixar de existir, deixar de habitar a mim mesma. É quando a voz cala não por escolha, mas por exaustão. Quando a escrita já não respira. Quando o “entre”, os "meus pra dentro" se fecham. Isso, para quem vive pela linguagem, é uma forma real de morte - mesmo não sendo física. 

Maria
Enviado por Maria em 20/01/2026
Alterado em 20/01/2026
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