Maria
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Textos

Manifesto Íntimo

Não, não são as sombras que esmagam, mas são elas que beliscam, provocam, testam. Há caminhos que trilhamos que são esse contraste bonito entre afeto e conflito. É que amar não é um terreno limpo, é um chão onde até a sombra tenta escrever com os pés o que as mãos do coração não conseguem mais alcançar. Escrevo de meus pra dentro. Cada palavra é a alma que se entrega pelas beiradas das linhas e entrelinhas do texto. E há sempre o esforço, o combate digno e justo com as palavras, mesmo que, em segundos, um mundo brote pela ponta dos dedos. Ou... não. Talvez, talvez, haja sim algo de trágico nisso tudo. Há 20 anos eu digo: escrevo porque preciso. É uma necessidade vital. Questão de sobrevivência. Já morri tantas vezes. Agora quero viver. E sei que viver exige força, mas ainda assim escolho me lançar nessa empreitada. Não por fome do centro ou da chegada. Tenho fome de margens - lugar dos que observam, dos que atravessam, dos que não cabem no traçado reto - dos vivem nos paralelos. Você sabe, pois já me disse de forma protocolar: "Maria, você é um ponto fora da curva". Chorei como uma criança ao ouvir. Hoje reconheço e aceito com orgulho. Isso diz muito de mim enquanto escritora, enquanto poeta: alguém que precisa do limite, do contorno, do quase. Meus ensaios são respiros que pedem ar. Funcionam como manifesto íntimo sobre o que penso da minha palavra escrita. Um manifesto íntimo curto, firme, sem concessões interiores, mas pedinte de ar e espaço para o respirar. É como um grito, um último respiro de quem ainda não desistiu, mesmo cansada. Por isso quase sempre sobram e faltam linhas...

Maria
Enviado por Maria em 20/01/2026
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