É disso que sou: puro sentimento. Por isso, escrevo. Em meus levantes dos sentidos faço a insurreição da alma. A alma renasce do silêncio. Como as sementes. Assim, assim - nesse andar-ilhar... se fazendo ilha - conquistando territórios - enquanto caminho os pés no asfalto de palavras. Vejo que sigo isolada, recortada, sozinha, mas existente. Após 20 anos ainda sou Eu mesma. Por isso, aquele hífen (andar-ilhar) marca a ferida e o território ao mesmo tempo. Caminhar machuca os pés nus. Mesmo que seja esse caminhar sob e sobre a palavra escrita. Não busco reconhecimento, mas hoje, após tantos anos, creio que posso contribuir com o pensar a poesia, a escrita. Por isso ensaio. E, ao mesmo tempo, a tímida palavra. Sigo... mesmo silenciando, eu sigo. Sou uma condenada a pensar e a escrever para sobreviver. Iniciei numa Primeira Página, segui por um Meu Cantinho de Reflexão e continuo por um Recanto de (talvez) maturidade. Busco inspiração onde ainda é possível pisar, e falo do meu jeito antigo mesmo que seja à margem, mesmo que doa... em mim.