Maria
Prosa e Poesia
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Textos

Licor de Paisano

Rumorejo saudades

pelos batentes das portas.

Talvez já esteja só - mergulhada

neste fosso de palavras

que nunca se finda.

Mando um recado pra ele -

ele faz não me escutar.

Talvez devia escrever uma carta -

colada com a língua de saliva,

selada, carimbada

e enviada pelo carteiro-mor.

Também já o fiz,

mas as respostas sempre me diziam:

mensagem não recebida,

o destinatário não recebeu seu envelope.

Preparo outro: olho no olho,

pecado com pecado,

quase sem voz...

Gargalho - as palavras escorrem

como um licor de paisano.

Bebamos! São só palavras,

mas carregam a alma

em cada gota de tinta.

Maria
Enviado por Maria em 20/01/2026
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