Rumorejo saudades
pelos batentes das portas.
Talvez já esteja só - mergulhada
neste fosso de palavras
que nunca se finda.
Mando um recado pra ele -
ele faz não me escutar.
Talvez devia escrever uma carta -
colada com a língua de saliva,
selada, carimbada
e enviada pelo carteiro-mor.
Também já o fiz,
mas as respostas sempre me diziam:
mensagem não recebida,
o destinatário não recebeu seu envelope.
Preparo outro: olho no olho,
pecado com pecado,
quase sem voz...
Gargalho - as palavras escorrem
como um licor de paisano.
Bebamos! São só palavras,
mas carregam a alma
em cada gota de tinta.