Cada vez que eu visitava minha vó no interior, eu a achava mais pequena. O tempo ia passando e ela ia emagrecendo, encurvando, como se estivesse aos poucos se entregando.
Eu sempre lhe dizia em alemão, do jeito que vinha do coração:
- Vóvo, du wirst jeden Tag mehr kleiner (Vóvo, tu está cada dia mais pequena).
E a abraçava, trazendo a cabeça dela junto ao meu peito, como quem tenta segurar o tempo com os braços.
Ela me olhava com aqueles olhos antigos, cheios de uma sabedoria que não se aprende, e me respondia com uma serenidade que nunca esqueci:
-Ich bin bald in der Erde (Eu estou quase na terra).
Ela queria dizer que já estava quase lá. Que estava indo… indo… e que chegaria à terra...
Não havia medo naquelas palavras.
Havia aceitação.
Havia paz - descanso anunciado.
Vóvo - eu a chamava exatamente assim. Acento no primeiro vo e o segundo dito bem rapidamente. Desde pequena a chamava assim. Só eu a chamava assim.