Nem sempre aprendo
com o ritmo das marés.
Nem conheço suas entranhas,
de ventos insulares
e insensíveis à calmarias.
Não apresso o tempo.
Tenho medo de perder
o que nunca vivi.
Por isso, não nego
o retorno das águas,
nem o poema que faz cais
na ponta dos dedos.
Não sei desse saber antigo,
do Poeta da Antiguidade...
Se me habita e podes ver,
é que minha ancestralidade
se desenha no papel em branco.
Sou como o poema
que escrevo:
pobre de espírito...
Mas, carrego em mim
o rumor das águas de dentro,
um lumiar de brisa,
o sopro do vento,
um coração que voa ao sonho
e busca cais, busca porto,
e só encontra pouso... em teu peito!