Tem dias, o coração se despede. Não do amor, mas das palavras. Uma dor, uma mágoa, um ruído de silêncio que se agiganta pelo tempo e tudo vai cachoeira abaixo. Então a voz quer calar. Procura. Mas, no peito... retumbam sentimentos puros. Nascidos em tempos longínquos, na primeira página de um livro aberto. E nada cessará essas avalanches. Nada calará as vagas que se precipitam pelos teclados e cordas dos violinos da vida. Quem consegue parar a lava de um vulcão? Quem ousa parar os tsunamis que se avalancham pelos telhados da vida? A voz no deserto não cala. Pode emitir apenas sussurros, gemidos, suspiros... mas jamais calará sua voz. Porque o que a move não é vontade, não é a decisão... são as profundezas dos pra dentro... Castigo? Presente? Depende de quem olha. Ou de que lado da vidraça da janela do tempo profundo olhamos. Preciso falar. Necessidade. Necessidade vital. Tem dias a alma se despede... das palavras... Mas os dedos de dentro não largam o pincel e o nanquim. E o vento não para de soprar sentidos... É quando ruídos de silêncio se hieroglifam sobre a lousa da vida, nestes velhos pergaminhos do tempo.