Maria
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Textos

A Dor de Elis

Não há quem possa dizer que entende. Eu não sei o que dizer. Só choro. Porque sinto! Sei como é essa angústia dilacerante na noite sozinha... Essa dor que rasga as entranhas como uma espada de pontas serradas extirpando a alma. E é lá dentro que tudo se mistura e não existem palavras que possam explicar. É um grito que sai da boca e se esparrama pelo palco - que aplaude a dor tão sentida... É uma vida que se esvai entre um copo e outro dos venenos do tempo. E uma voz se cala - embargada de sonhos e angústias tão latentes... Sou eu na corda bamba. Sou eu com medo do que virá - de não conseguir, de não saber lutar, de desistir... como já, no passado, fiz... E se eu cair? Se não puder me levantar? Se não souber por onde ir... estender a mão para me segurar? Sou eu na corda bamba. A equilibrista... embriagada de sonhos... com essa dor que rasga por dentro.... onde tudo se mistura.... no grito que sai da boca e se esparrama pelo palco enquanto a plateia aplaude a dor tão sentida... A dor de Elis...

 

Para Elis (in memoriam) 

 

Imagem: Aurora

Maria
Enviado por Maria em 10/02/2026
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