Tantas coisas que eu não entendo. E, por vezes, eu tenho esse desejo de não existir. De ser um passo apenas, pés caminhando o tempo como se não houvesse amanhã. Caminhar pela vida sem nome, sem ser eu. Nas costas a trouxa desse silenciar - para que os pensamentos se calassem e tropeçassem uns nos outros até se cansarem de me assolar. Então eu iria pelo mundo olhando paisagens sem sentir, conhecendo outras vidas sem me apegar, simplesmente indo... sem parar, sem fomes para procurar, sem toques, sem aquele olhar amado para esperar, sem sonhar com o beijo de amor, sem programar discursos ou falas em cada encontrar. Talvez, talvez eu me faria muda - para não ser mal interpretada, me tornaria menina para ser admirada... não colheria decepções, nem dores, somente espinhos nos pés desnudos, feridas incuráveis que sangrariam a cada passo dado. Quem sabe assim eu me esqueceria do coração, da alma e só lembraria que tenho pés... para caminhar, sem sonhos, sem pensar, sem sentir... só andar...