Não me procure em jardins frequentáveis
nem nos varais balouçantes das esquinas de néon.
Não sou risco,
nem vivaz e magricela
para me reencontrares em revistas
ou bares esfumaçados de solidão.
Sou bruma em tuas buscas -
desfaço-me em suspiros de versos
trilhados no coração.
Sou raio pousado de sol,
pássaro caseiro de asas esvoaçantes
à procura de migalhas da tua voz.
Poeta das horas insólitas,
assopro palavras para acariciar
o que minhas mãos não alcançam
e dedilho centúrias de poemas
para encantar tua alma
entranhada à minha.
Não, não me procures onde não estou.
Procura-me em teus braços -
que anseiam romper
o vazio da minha presença.