Há em mim uma melodia anterior à palavra.
Desvendou-se de si em meio ao Caos da Primeira Página.
Vinte séculos se passaram e a alma ainda se encontra lá -
envolta em caminhos invisíveis entre telhados de barro,
troncos antigos e raízes profundas.
Há em mim um cântico que não se escreve num livro -
mas é síncrono ao recolhimento da escuta interior.
Há vastidão da alma dentro dos olhos que -
puros e felizes de amor - contemplam os teus
em nossa janela do tempo profundo.
Há um vento que não se prende à fronteiras,
envolve o que encontra como a bruma da noite
que abraça a montanha, deixa marcas sutis,
um perfume que permanece no teu peito -
um arrepio breve e quente na pele da noite.
Há em mim uma canção dentro do peito.
Transborda silêncio - aquele das tempestades e das brisas -
afinidade entre almas, reconhecimento do timbre,
compasso na dança com as palavras -
som que vibra em nós como o vento
que passa e nós e não esconde moinhos...