A vida, solitária dama,
qual astro em ocaso vespertino,
vai tecendo n’alma que inda ama
acordes serenos de violino.
Na floresta densa uma voz clama,
escuto-lhe ao longe o soluçar,
como o planger de antigo sino
na ermida enevoada de um olhar.
E o repicar do sonho enleva e chama,
qual sino oculto em névoa a ressoar -
desperta o lume antigo em quem ainda ama.
Se a vida é ocaso, qual brasa em lento arder,
não cessa o amor, nem finda o seu cantar:
no ermo da alma em pranto há renascer.
Quartetos - ThiagoRodrigues
Tercetos - Maria