Maria
Prosa e Poesia
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Textos

Cesuras de Mim

Não quero uma partitura de lamentos

subordinada aos ruídos de fora,

às dores e medos

que hoje vivem sua sentença de atrasos

e profundos retrocessos.

 

Entreguei-me à busca de ecos

de meu próprio cinzel

e encontrei só promessas

de que um dia eles se fariam ouvir...

 

Por isso, pra não me lamentar,

me calo! Me calo!

Sigo ausente de mim mesma,

de minha própria voz,

de meu lugar de fala...

Me calo!

 

Sim, por isso sigo

compondo silêncios,

aqueles silêncios íntimos de mim,

tangíveis, quase que bordados,

impressos na alma

quais digitais do tempo.

 

Aqueles silêncios que me sejam,

que me saibam,

que me expandam

e me façam viver minhas pausas

e notas de bemóis sustenidos

e semibreves staccatos como eu sou,

como me sei, como me queira expandir

no mundo, em ti, em mim...

 

Por isso, me calo! Me calo!

Me faço pausa e silêncio

em minhas notas de bemóis sustenidos

e semibreves pontuados de cesuras

que você não quer ler...

Maria
Enviado por Maria em 10/03/2026
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