Sou o prenúncio
do lento -
vento azulado
que beira precipícios
e abismos interiores.
Quem manda pensar?
Não devia…
só pra me azarar.
Rodopio profundezas
e delas não sei mais
me achar -
nem sair,
nem partir…
Se num rio de pedras
e cachoeiras de lágrimas
busco lumiares de brisas,
também quero
apaziguar dores
e asas feridas.
É que de nada tenho
neste universo
de nossa janela
do tempo profundo.
Fiz inventário:
tenho um par de olhos
verde-azul-anil-violeta,
um sorriso de amor
que almeja ser perfeito,
e uma voz
que fala em sussurros
ou por meio
de sua palavra escrita.
- Senhor escrivão -
não deixe de registrar
esse contrato.
Carimba com graça
meu nome
ao lado
de uma gota
de tinta.
Faz escritura viva,
derrama o nanquim...
Traz o coração que me olha...
traz ele - pra sempre - pra mim...