Maria
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Textos

(Des)sentir

Não há mais que se abrir a janela do tempo profundo. Das aragens que restam no coração não há mais porque ouvir. Não há como dessentir a angústia que se agiganta dentro o peito. Não há. As sombras que nascem e me aniquilam começaram a escrever uma nova história: rascunhos da solidão de um coração. O olhar catártico se perde nos paredões de dentro tentando encontrar o que deu errado. Onde foi que perdi o fio amealhado de minha vida e o entreguei em mãos que não me querem em sua vida de jeito nenhum? Onde foi que perdi? Onde foi que deixei a ponta do fio da minha vida, que agora devo recolher para me puxar de volta pra mim? Fui cega, foi ingênua em acreditar, sonhar. Mas agora sei - das aragens que me restam no coração não há mais porque ouvir. Nem como dessentir a angústia que se agiganta dentro o peito e levanta sombras que me aniquilam a escrever uma nova história: rascunhos da solidão de um coração que ama, mas que não foi o escolhido para - no mundo concreto - ser amado... 

Maria
Enviado por Maria em 31/03/2026
Alterado em 31/03/2026
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