Também busco
um pouco de vento
que seja sufrágio
para voos interiores
e asas abertas
aos sonhos do coração.
Se faço amor com palavras
teço rodopios de emoções
que viajam por teu corpo
- tão longe - que não há
como tocá-lo
senão pelos dedos
dos sentidos da alma.
Navego o dia em solidão -
não tenho vizinhos,
nem afrescos
de porta soldado.
Vivo num mundo cinza
e minha visão à meia-luz
é mortalha querida de azul
destes sonhos
que nem nasceram
e já pedem pra morrer,
assim, assim, no sem sentido...
Também busco
um pouco de vento
que seja sufrágio
para voos interiores
e asas abertas
aos sonhos do coração...