O tempo, arguto,
costura solidões
às águas de dentro.
São profundas
as marés da alma -
tempo presente,
mundo dos vivos
que juntam mãos
e pedem, em oração:
- me dê um beijo,
me toque a face
com as cores
de tua canção…
Assim…
como num caleidoscópio
de luzes,
ou uma ampulheta
cuja areia -
amarelada pelo tempo -
desliza
de volta
ao passado
de cartas
e belezas
que não ousaram
mais existir.