Se eu pudesse
reparar ausências,
reparava a tua
em minha vida concreta.
Tirava você
de lá longe
e colava aqui -
perto,
do lado de dentro
do peito,
bem amanilhado
ao coração.
Se eu pudesse,
implorava -
igual a mendigo -
tua presença
em minha vida,
sem mais faltar.
Mas não sou deusa,
nem faço magia
com dedos
de varinha de condão.
Então -
me armo de astúcia,
e perfaço a água
em infusão,
para galgar teu corpo
como pluma,
e pousar -
pássaro,
gigante de amor -
em teu coração.