Sei -
há dias
em que não sou eu.
Sou outra
dentro de mim.
Há dias
em que me vou avoada,
assim…
como rolam as águas,
como partem os raios
para chegar
em estrondo
em algum lugar.
Há dias
em que me vou
como coisa do passado,
como lustral de dores
percorrentes de chagas
na alma,
dormente
de amanhãs
e vivente
de mortes
entre o cair do sol
e o nascer da lua,
zelosa
de noites
sem madrugadas,
enevoadas
de sonhos.
Por isso, eu sei:
há dias
em que não sou eu.
Sou aquela outra
dentro de mim…