Também não sei
por que escrevo
pelas beiradas -
pelas margens,
como se tivesse medo
de o todo do papel
me experienciar.
Permito ver
só um pedaço,
um rasgo
do intenso sentir
desmedido
de mordaças
e amarras.
Por isso
preciso manter
minha essência -
seu sopro,
meu respirar lento,
dengoso,
brando
e delongo.
Sou poeta -
mas vivo
pelas margens da vida.
Uma asa
para ir,
outra
para voltar,
e mais outra
para rodopiar voos
pelos penhascos da alma,
pelos abismos
de meus pra dentro,
em busca
de me encontrar…