Quiçá tocar
esse mistério -
ser tantas
numa só,
em travessia
de mim mesma.
Sou aquela camada
que sente mais fundo,
que sangra mais aberto,
que caminha
pelos arredores do corpo
e pelos corredores da alma,
onde a luz
ainda é névoa,
onde o sentir
é verdade íntima
e antiga
que se desembrulha
na palavra escrita
como hieróglifos
de um velho pergaminho
do tempo.
Talvez por isso
me revelo
em frestas,
em rasgos,
em beiradas -
porque são mais profundas.
Não evito o centro -
circundo-o
com cuidado.
E sigo escrevendo
pelas bordas,
me encontrando
em cada esquina…
Vivo nas margens -
mas conheço
minhas profundidades.
Escrevo pelas margens
para não me esconder
no denso texto,
e para aprender
a tocar o infinito
sem me perder nele.
Ousando ser
rio…
e mar…
assim, assim,
simultaneamente -
no mundo
dos eternos…