Maria
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Textos

Repousa em mim um verso erudito

Repousa em mim um verso erudito -

uma orquestra de palavras nascidas das brumas

e dos ventos do tempo,

das auroras de dores lacerantes…

 

Dialoga comigo o verso antigo,

como se fossem duas vozes

da mesma alma

em tempos distintos…

 

Caminho em suas entranhas -

presença contínua,

quase bela em sua tristeza -

da saudade que, mesmo guardada,

enterrada,

habita os sentidos…

 

Trilho por caminhos

onde as memórias

não são apenas lembranças,

 

onde a solidão

não é abstrata -

e deixa flores no caminho,

 

deixa marcas

que, mesmo efêmeras

como pétalas,

 

ainda doem,

ainda ferem…

 

Vejo a doçura cruel

da lembrança do irrecuperável,

do que não volta…

 

E a alma sente

o perfume das lembranças,

 

se veste de memória,

de sensações antigas…

 

e segue…

 

por estes caminhos

onde a saudade veste véus antigos

e caminha por entre os ciprestes

 

como um lamento -

uma elegia melancólica

 

e, ao mesmo tempo,

profunda e bela,

 

como a tristeza

que veste a alma

de saudades eternas…

Maria
Enviado por Maria em 28/04/2026
Alterado em 28/04/2026
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