Repousa em mim um verso erudito -
uma orquestra de palavras nascidas das brumas
e dos ventos do tempo,
das auroras de dores lacerantes…
Dialoga comigo o verso antigo,
como se fossem duas vozes
da mesma alma
em tempos distintos…
Caminho em suas entranhas -
presença contínua,
quase bela em sua tristeza -
da saudade que, mesmo guardada,
enterrada,
habita os sentidos…
Trilho por caminhos
onde as memórias
não são apenas lembranças,
onde a solidão
não é abstrata -
e deixa flores no caminho,
deixa marcas
que, mesmo efêmeras
como pétalas,
ainda doem,
ainda ferem…
Vejo a doçura cruel
da lembrança do irrecuperável,
do que não volta…
E a alma sente
o perfume das lembranças,
se veste de memória,
de sensações antigas…
e segue…
por estes caminhos
onde a saudade veste véus antigos
e caminha por entre os ciprestes
como um lamento -
uma elegia melancólica
e, ao mesmo tempo,
profunda e bela,
como a tristeza
que veste a alma
de saudades eternas…