Escorrem lágrimas do céu
pra dentro da alma.
Sou rosto cinza
na multidão de Aedos
e suas hierofanias.
Ando sentida
dos dias que já passaram -
e não mais voltam.
O pé vacila
pelos umbrais
desta estrada de incerteza
que tuas mãos entregam
em meio às luzes
e cores
com que me tocas.
Na faina do dia,
o cansaço - esse teu -
que tanto eu queria
amainar
com o sorriso
a despontar dos meus olhos,
qual mágica
de fada encantada
de amor.
No andarilhar das horas,
purpurinam palavras
que não dão conta
do todo
que precisávamos falar.
Assim,
calo-me.
E, na imensidão
do silêncio,
tomo entre as mãos
tua face -
nela selo
meu beijo
de eterno Amor.