Maria
Prosa e Poesia
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Textos

Mistura Eterna

A dor da menina

de tranças ruivas e sardas

ainda compunge o peito.

 

São feridas

que nunca deixarão

de sangrar.

 

Como as tuas -

que te fizeram

e ainda te fazem

(se eu as pudesse curar).

 

E as velhas perguntas

ainda rondam o espírito:

onde o trigo moreno

para a colheita,

as bagas ataviadas de orvalho

nas manhãs

de gorjeio da passarada?

Onde?

 

Na madrugada

o choro de quiçaça ainda dói,

as lembranças se erguem

porque se misturam

à dor do teu cansaço,

as perguntas do teu coração.

 

Saudades

minhas,

suas.

Imensas.

 

Furacão ao léu,

força centrífuga,

girando, girando...

misturando tudo:

nós dois,

presente, passado,

terra e céu...

Maria
Enviado por Maria em 10/05/2026
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