Maria
Prosa e Poesia
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Textos

Memória em Rotação

Talvez eu seja

sempre menos contemplação

e mais vertigem,

menos imobilidade

e mais memória

em rotação.

 

Talvez eu ainda tente

segurar muitas temporalidades

num mesmo poema -

e tudo gira…

 

E continuo profunda

em minhas metáforas,

pois fui tecida

com palavras.

 

Por isso,

para me entender,

é preciso primeiro

me subentender -

viajar pelas entrelinhas,

pelo que não está escrito.

 

Em mim,

o poema já inicia assim:

ferindo…

como uma navalha

afiada pelos ventos

nas escarpas pedregosas

da montanha -

assobia canções

enquanto o sangue escorre

pela encosta.

E a dor

é fenomenal:

moral,

espiritual,

funda.

 

Por isso o trauma

ainda permanece

e é destilado

na cadência da escrita.

 

É que procuro

um tempo perdido da alma…

sim, esse, aquele…

onde tudo orbita

num mesmo instante,

junto,

mesmo ritmo,

respiração…

minha,

tua…

nós dois…

 

num só.

Maria
Enviado por Maria em 10/05/2026
Alterado em 10/05/2026
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