Maria
Prosa e Poesia
Capa Textos E-books Fotos Perfil Livro de Visitas Contato
Textos

Autor e "Sintor"

A dor da solidão no ato de escrever só é suportável por isso. Por se deixar atravessar pela escrita ao mesmo tempo em que se escreve. Autor e 'sintor" ao mesmo tempo. A escrita não nasce depois do sentir, ela acontece durante o sentir. Sim, bem assim: não recordo a emoção ao escrever eu a vivo novamente no instante da palavra. Por isso sei que sou minha própria palavra escrita. Não há distância entre autora e texto - e talvez isso seja algo condenável, mas sobrevivi 20 anos escrevendo assim. Ainda estou lá, aqui, ali. Não há máscara literária. Há transbordamento da alma no papel em branco - e a palavra que fere é mesma que desenha enquanto corta. Por isso, escrevo como quem sangra e, ao mesmo tempo, pinta o próprio sangue em imagens que se desenham no papel em branco. E não há nada de maravilho nisso - é arte bruta. Sem lapidação. Talvez por isso, seja a menos lida entre as menestréis. Não há pensar a palavra para escrever. Há um escrever que me leva a pensar. E, mesmo assim, não mudo o que escrevi. Posso até lapidar um outro texto, escrever um outro poema. Cada um num tempo e momento diferente. Iguais com lapidações que os diferem. Mas ambos escritos na dor da poeta - que chora com a lágrima silenciosa ou despencando cachoeiras aos borbotões. Ao escrever há sempre esse movimento interno: meus pra dentro não sentem em linha reta porque eu própria sou um ponto fora da curva. Penso e sinto em marés, tempestades, vertigens. Em mim a escrita não é estática. Ela pulsa - retumba. Bumba o poema no sangue dos meus pra dentro. Que jorra no tampo da mesa desenhando o poema na lauda em branco deste velho pergaminho do tempo...

Maria
Enviado por Maria em 10/05/2026
Alterado em 10/05/2026
Comentários