E sopra o vento
embriagado de friagens.
Sopra canções
pelas cumeeiras e janelas da casa,
forçando vidraças
pra entrar.
Seu grito traz
as devastações
dos telhados que tombaram,
os bonecos de gelo
e toucas de lã
sobre os muros…
Atravessa o corpo
o frio de sua lâmina.
Tudo dói.
É como um poema
de navalha
que vai rasgando a alma
enquanto desenha ondas
no celeste do mundo.
Ah…
se eu só pudesse falar
com seus sussurros íntimos.
Voaria até a beira
do Ribeirão
e pousaria melodia
numa janela
do quinto andar
deste tempo profundo.
Assim,
assim…
embriagada de poesia,
forçando vidraças
pra entrar…