Maria
Prosa e Poesia
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Textos

E sopra o vento
embriagado de friagens.

Sopra canções
pelas cumeeiras e janelas da casa,

forçando vidraças
pra entrar.

Seu grito traz
as devastações
dos telhados que tombaram,

os bonecos de gelo
e toucas de lã
sobre os muros…

Atravessa o corpo
o frio de sua lâmina.

Tudo dói.

É como um poema
de navalha

que vai rasgando a alma
enquanto desenha ondas

no celeste do mundo.

Ah…
se eu só pudesse falar
com seus sussurros íntimos.

Voaria até a beira
do Ribeirão

e pousaria melodia
numa janela
do quinto andar

deste tempo profundo.

Assim,
assim…

embriagada de poesia,

forçando vidraças
pra entrar…

Maria
Enviado por Maria em 10/05/2026
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