Não tenho
pensamento legível.
É bruto meu poetar.
Falo em solavancos
e soluços inteiros -
em meio ao respirar.
Se a garganta seca
mastigo palavras
que me surgem
como adagas -
cortando
a memória dos sentidos
que guardei
para ao mundo
não mostrar.
Meu diário
tem meus precipícios
e neles me afogo
ao espocar das palavras.
Mas uma coisa posso dizer:
não há morte em meu sorriso,
nem falta de amor em meu olhar.
Proseio -
alma em solidão,
mas derramo amor e luz
em minha tímida
e barda canção.