Dele - recebo
lampejos de poemas,
sempre perdidos em dores
de não ser amado.
É dono do meu coração,
mas o lamenta impossível
e inalcançável -
nele não almeja tocar.
Semeio o sentimento,
traço o voo,
mergulho no Mar
em busca de suas
profundidades, mas -
à superfície vomitada -
sou preterida, expulsa
como inimiga, indiferente,
um nó (in)golível -
que ao fogo do afastamento
é preferível jogar.
Hoje não peço
perdão por amar -
sigo meu Poetar.
Já não subo mais os degraus
para o céu do terceiro andar.
Sento sozinha em meu banco,
abraço o dever
e, por dentro eu choro...
depois, em silêncio,
barda de amor - pinto
luzes e amor em meu poetar.