Colho o trigo, amasso pão -
e o poema soluça
entre as brasas quentes
da verve urgente
e (des)engrenhada.
Não poeto por vagar -
danço com as palavras
para tentar me expressar.
Não me faço rainha
de povo nenhum,
pois não sei cartografar
os territórios da alma.
Poeta de claros e escuros,
mastigo palavras
como quem cerzi névoa:
assim, assim, no tranco
delicado e quente.
No fogaréu de palavras
queimam os dedos da alma -
e as faíscas podem ser vistas
entre as estrelas
que recebem o trigo, o pão,
o soluço do coração.