Maria
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Textos
De Cosette a Fantine quem sou?
Daniele  hoje me falou:
"um tanto de gente
andarilhando por aí"...
Não produz e não consome...
Onde moram? Não sei.
São invisíveis. Nunca vi.

Não é um problema individual -
me disse à pouco o Marcelino.
Mas querem me levar
para uma "Colônia Penal"!
Me chamam de "louco",
"doente", "ébrio", "marginal"!

Quem sou eu para o Estado?
Sujeito? Indivíduo? Bandido?
Ser? Criminalizado! Invisibilizado!
Sujeito de Direitos Nenhum!
Da sociedade Excluído!
Desprezado!

De Cosette a Fantine*
meu destino é a morte,
a exclusão...
Meu lugar de pertença
De mim é tirado!
Sofre gentrificação!

De Cosette a Fantine...
sou um tanto de gente
andarilhando por aí...
Para eles, um resto,
um nada, um invisível!
De Cosette a Fantine...
Quem sou eu para ti?

Poema que resultou das falas de Daniele (Serviço Social) e Marcelino (Direito) numa palestra sobre o Direito à cidade e população em situação de rua.

Cosette e Fantine são personagens de Os Miseráveis - de Vítor Hugo.
Fantine, de certo modo, “viveu nas ruas”. Não exatamente como uma moradora de rua contemporânea, mas como alguém lançada à marginalidade absoluta: perde o trabalho, a moradia digna, o corpo passa a ser explorado como mercadoria, é perseguida moralmente, adoece e termina numa condição de abandono social extremo. Ela encarna aquilo que hoje chamaríamos de vulnerabilidade estrutural. Já Cosette representa a infância submetida à miséria, ao trabalho e à desproteção.
Maria
Enviado por Maria em 20/05/2026
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