Há sempre
uma força serena
quando o grito da ferida
não se restringe
ao som do choro
que atravessa a noite.
A voz que soluça
é a consciência de si.
Deixa-se de olhar
para a ausência
de quem deveria estar perto
e passa-se
a se afirmar
a partir
da própria natureza.
É quando
o valor próprio
passa a ser reconhecido -
e não apenas
o valor do outro.
O sentimento
deixa de ser definido
pela resposta alheia.
O amor
deixa de ser
algo mendigado ao mundo
e se torna
relíquia interior.
É permanência.
É eterno.
E tem morada
no fundo do coração.
Eu?
Continuo
mergulhando fundo
em ti -
em tua
profundidade
imóvel.
Talvez caiba ali
sem me deformar
e sem abandonar
minha profundidade
para tornar-me, um dia,
mais facilmente escolhível.