Ele continua caminhando
açodado e embriagado
do vai-e-vem
de sua própria agitação,
que lhe traz
ao mesmo tempo
o sentido
e a ilusão da atividade.
Mas estacionou
no tempo do amor.
Apaixonado
pelo encanto escuro
da "sombra" de estranha beleza
que chegou sem ruído,
quase ternura -
que o seduziu com doçura -
e que não sai
de seus pensamentos
e dos emaranhados
de seu corpo,
ele segue a liturgia do dia.
De longe, espio -
coração partido
e despedaçado.
Penso
se não perdi de vista
a mim mesma
para viver
coagulada
a um coração
que já pertence
a outra nova pessoa
e só eu
não o sabia.
Apesar da genialidade,
ele não consegue entender
o amor verdadeiro.
Ama com esse amor,
mas luta
desesperadamente
para matá-lo
em seus pra dentro,
para apagá-lo
da mente
e do coração.
E apesar de sua genialidade,
não sabe que um coração
que ama em profundidade
cansa de esperar
por tão longa data.
E que este coração
queda-se a refletir
se amar
é carregar o outro em si
e tirar-se de lá de dentro.
Porque talvez
seja o que tenho feito
até aqui.
E assim não vi
que o amor dele
é repartido
pela paixão e desejo
por outro coração
e corpo,
enquanto o meu amor
segue fiel
ao que acredita ser
o que há
de mais belo
e precioso
na face da terra:
- o amor profundo
e verdadeiro.