Maria
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Textos

A liturgia da dor

É óbvio que hoje já não interpreto mais a não escolha dele como insuficiência minha. Conheço o meu valor. E sei que o amor que carrego no peito é o amor que ele enseja viver, o amor que sara feridas, que ilumina a vida, que traz paz e serenidade mesmo a tempestade, o olho do furacão erguendo o chão. Hoje, mergulhada na dor mais lacerante e profunda eu sei que preciso desenhar outros movimentos para simplesmente continuar a viver. É tempo de encontrar penhascos para saltar e levantar voo para longe do olhar que vê - liturgicamente - o amor que ele vive e que me mata aos poucos por ter sido, mais uma vez, preterida, rejeitada. Reconhecer isso é difícil. Dói mais do que a própria dor porque é um sentimento de que se está eliminando a própria essência que é amar e não alcançando o "desejo profundo de amar e ser amada" que tanto almejo em meus pra dentro. O voo que procuro não é esquecer. Nem deixar de amar. É aprender a carregar esse amor, sem continuar a oferecer cotidianamente o próprio coração ao lugar que o fere.

Maria
Enviado por Maria em 22/05/2026
Alterado em 22/05/2026
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