Maria
Prosa e Poesia
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Textos

Idioma Subterrâneo

Talvez, talvez…

eu caminhe

por este limiar

de uma metamorfose interior.

 

Mergulhando fundo

no sofrimento

numa tentativa

de reencontrar

uma forma de existir

depois dele.

 

Não sei

se é possível

fazer isso mais uma vez

sem retornar

ao ponto anterior

à ferida -

ao instante

em que minha identidade

ainda não orbitava

em torno

da espera incansável

e vestida

de impossibilidades,

mas se deixava iluminar

pelo florescer

do sentimento nascido.

 

Constato - pasma -

que o vínculo entre nós

parece ter nascido mesmo

do reconhecimento mútuo

da ferida,

de uma inquietação

existencial profunda:

a identificação

de nossos abismos,

o eco

de nossas dores,

o espelho

da incompletude

e de nosso sofrimento

que nunca se finda.

 

Somos

duas almas

que se reconhecem

no mesmo idioma

subterrâneo:

o da dor.

Maria
Enviado por Maria em 24/05/2026
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