Não sei
perseguir o tempo.
De nada adianta
acorrentá-lo
para depois o viver.
O que passou,
passou.
Não há mais
como viver.
O tempo segue
sem minha história notar,
assim, assim -
sem revés
e sem vento.
Por isso,
vivo na noite -
desossada até de mim,
pois que hoje
me perdi
entre dores
e lágrimas
tão profundas
que meus abismos
se transformaram
no olho do furacão.
Aquele
que roda tudo silencioso
e depois explode
para tudo destruir,
desmoronar -
a aparente calma
cercada por devastação.
Houve um tempo
em que pensei
nesse reconhecimento
mútuo da noite
como nascer
da luz do amor.
Houve um tempo
em que pensei:
finalmente
alguém compreendeu
o nome do meu abismo.
Hoje sei
o que nunca soube:
o Abismo
sou Eu.