Maria
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Textos

O Abismo sou Eu

Não sei

perseguir o tempo.

 

De nada adianta

acorrentá-lo

para depois o viver.

 

O que passou,

passou.

Não há mais

como viver.

 

O tempo segue

sem minha história notar,

assim, assim -

sem revés

e sem vento.

 

Por isso,

vivo na noite -

desossada até de mim,

pois que hoje

me perdi

entre dores

e lágrimas

tão profundas

que meus abismos

se transformaram

no olho do furacão.

 

Aquele

que roda tudo silencioso

e depois explode

para tudo destruir,

desmoronar -

a aparente calma

cercada por devastação.

 

Houve um tempo

em que pensei

nesse reconhecimento

mútuo da noite

como nascer

da luz do amor.

 

Houve um tempo

em que pensei:

finalmente

alguém compreendeu

o nome do meu abismo.

 

Hoje sei

o que nunca soube:

o Abismo

sou Eu.

Maria
Enviado por Maria em 24/05/2026
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