Um silêncio gigante desceu como névoa
pelas montanhas da porta do tempo.
Um silêncio cinza rodando lento,
carregando meu peito em seu ventre.
Vem e vai com a força dos tornados em ebulição.
Seu vento sísmico vira as últimas páginas do livro
que uma única vez escreveu meu nome
e depois - para sempre - o apagou.
Mas, o silêncio se agiganta no tornado do dia
carregando consigo meu nome -
meu nome esquecido num quarto vazio
marcando as horas para ninguém.
Os dedos amortecidos como o coração,
tentam cruzar o lento girar das coisas -
buscar em algum lugar o alento,
uma luz, cores, uma carícia de vida.
Encontram apenas rastros do meu olhar
e meu nome bem guardado no passado
de uma eternidade pequena e sufocante.