Se houvesse como voltar ao passado,
voltaria ao instante anterior à gênese da Poeta.
Poderia calar o bico, a voz...
e voltar ao tempo de Desencontro.
Poderia tocar um piano que não existe
ou riff lento e dolorido numa guitarra antiga...
Ou, quem sabe poderia ser maestrina das estrelas
e tocar tristes rapsódias para janelas fechadas
e portas trancadas pelas mesmas mãos que as abriram.
Talvez encontrasse o absurdo e descobrisse
que quando amanhece sobrevive a angústia
do peso da minha permanência no mundo.
Então saberia que meu espírito ficou lá...
entre o antes e o depois desta chuva de sombras.