Bordeja no dia - um mundo de cavernas interiores.
Olhos nos olhos, pede-se perdão pelo nunca se fez.
Reafirma-se o sentido do encontro na primeira página da vida.
Olho de lado e me vejo simples: como o tempo passou!
Espanta ainda estar aqui - em eterna espera.
Nos olhos bordejam sentimentos - como luzes na escuridão,
brilha o que ainda não foi vivido:
as mãos dadas na rua, o beijo nos olhos. Existe algo mais íntimo? ...
Se um dia será, não mais sei. Sei que espero.
Como aguarda a andorinha - ou o pássaro triste - a chuva passar.
E a Vida segue chorando mortalhas e fins
que colaram em meu corpo, mesmo eu nunca ter da Vida partido...
Bordeja no dia - um mundo de cavernas interiores.
Olhos nos olhos, pede-se perdão pelo nunca se fez.