Hoje - sozinha e lacrimosa -
me olho no espelho
de minha janela
do tempo profundo
e vejo apenas panos
cobrindo minha face
de sombras e medos.
Desenho caminhos
para o campo santo
à espera da minha vez
de abraçar as estrelas
pargeada de pequenos sóis
a iluminar o que dantes
nunca foi iluminado
com a chegada
da voz tão esperada.
Hoje moro sozinha -
silenciosa e triste -
na Hora Vazia,
no Morro do Cristal -
que já decretou falência
- em cacos se quebrou.
Danço com a Poeira do Nada
- sonhando com o absurdo
e o inalcançável, pura utopia -
e tento sobre(Viver) o tempo
que ainda me resta caminhar
neste mundo meu
feito só de tristeza e dor.